Empresa barata, lucrativa — principal risco: risco político/governança.
- negocia com desconto de 44% ante o valor justo estimado (Graham)
- apresenta saúde financeira apenas mediana
- remunera o acionista acima da média: dividend yield de 9,00%
o controlador é o Governo de Minas. Decisões de dividendo, investimento e gestão podem priorizar o interesse do Estado — não o do minoritário. É a razão do desconto histórico da ação.
Ver todos os riscos →A Cemig é a companhia de energia de Minas Gerais, controlada pelo Governo do Estado. É uma "utility integrada": faz geração (usinas), transmissão (linhas) e distribuição (leva energia até a casa das pessoas em MG). Paga bons dividendos e gera caixa sólido. A tese — e o risco — é o mesmo nó: o controle é público. Historicamente houve interferência política, os dividendos oscilam com a necessidade de caixa do governo, e há uma discussão recorrente de privatização que, se avançar, tende a reduzir esse desconto.
Resumo em 2 minutos
A Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) é a empresa de energia elétrica do estado de Minas Gerais, controlada pelo Governo do Estado. É uma "utility integrada": atua nas três pontas do setor. GERA energia (principalmente em hidrelétricas, mais eólica e solar), TRANSMITE energia por linhas de alta tensão (via Cemig GT — geração e transmissão) e DISTRIBUI energia até o consumidor final em quase todo o território mineiro (via Cemig D — a distribuidora). É uma das maiores empresas do setor elétrico brasileiro e uma das maiores pagadoras de dividendos da Bolsa. Por ser estatal (economia mista, capital aberto), carrega uma característica que define sua tese: o controle é público. A Cemig ganha dinheiro nas três pontas. Na DISTRIBUIÇÃO (Cemig D), recebe uma tarifa regulada pela ANEEL para levar energia até as casas e empresas de Minas — é receita grande e recorrente, mas com margem definida pela agência a cada revisão tarifária. Na GERAÇÃO, vende a energia que produz em contratos (previsíveis) e no mercado livre (oscila com o preço). Na TRANSMISSÃO, recebe uma receita regulada e estável por disponibilizar as linhas. O custo principal aparece na compra de energia (quando gera menos do que vendeu, tipicamente em anos secos) e no custo de operar uma rede de distribuição enorme. O caixa que sobra é o que sustenta os dividendos — cuja distribuição, no fim, o controlador estatal ajuda a decidir.
Resumo completo
A Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) é a elétrica estatal de Minas Gerais, controlada pelo Governo do Estado. É uma "utility integrada": faz geração (principalmente hidrelétrica), transmissão (linhas reguladas e estáveis) e distribuição (leva energia até o consumidor final em quase todo o estado, via Cemig D, com receita definida pela ANEEL a cada revisão tarifária). Tem ativos resilientes, gera caixa forte e é uma das maiores pagadoras de dividendos da Bolsa (yield já na casa de 9% em anos recentes, com ROE perto de 17%). A tese e o risco são o mesmo nó: o controle é público. Historicamente houve interferência política — expansão mal precificada, endividamento alto na década de 2010, dividendos que oscilam com a necessidade fiscal do Estado. É por isso que a ação negocia com desconto claro frente a pares privados (P/VP perto de 1x contra ~2,7x da Engie, P/L na casa de 6–7x): o mesmo ativo vale menos por causa da governança. O gatilho recorrente de alta é a discussão de privatização — que, se avançar, tende a reduzir esse desconto, mas depende de decisão política e pode não acontecer. Em resumo: uma boa elétrica com desconto estatal, cujo maior risco (e maior oportunidade) mora na governança pública.
Principais riscos
- Risco político/governança (o principal): o controlador é o Governo de Minas. Decisões de dividendo, investimento e gestão podem priorizar o interesse do Estado — não o do minoritário. É a razão do desconto histórico da ação.
- Risco regulatório na distribuição: a Cemig D tem a receita definida pela ANEEL via revisão tarifária. Uma revisão dura aperta a margem — algo que uma geradora pura não sofre no mesmo grau.
- Risco hidrológico: boa parte da geração é hidrelétrica; anos secos reduzem a energia gerada e obrigam a comprar a diferença no mercado, apertando o resultado.
- Dividendo não garantido: o pagamento oscila com o lucro E com a necessidade de caixa do controlador estatal — não é uma mensalidade fixa.
- Privatização é incerta: o gatilho de alta mais citado (privatização) depende de decisão política e pode simplesmente não acontecer. Apostar nele é especular, não investir.
Principais oportunidades
- Ativos resilientes e essenciais: energia é serviço de necessidade básica, com demanda estável mesmo em recessão — receita defensiva.
- Negócio integrado e diversificado: geração + transmissão + distribuição se complementam; a transmissão e a distribuição regulada dão previsibilidade que suaviza a oscilação da geração.
- Forte geração de caixa e histórico de dividendos altos: já foi uma das maiores pagadoras da Bolsa (yield na casa de 9% em anos recentes).
- Posição dominante em Minas Gerais: é a distribuidora de quase todo o estado, um dos maiores mercados consumidores do país — uma espécie de "monopólio regulado" na distribuição.
- Opcionalidade de privatização: se o controle sair do Estado, a redução de interferência política tende a destravar valor e reduzir o desconto da ação.
Cemig CMIG4 · Ação preferencial (PN) de empresa de economia mista (estatal de capital aberto)
A elétrica estatal de Minas Gerais — gera, transmite e distribui energia no estado. Ativos resilientes e caixa forte sustentam dividendos altos, mas o preço carrega um desconto: quem manda no controle é a política estadual.
No Iniciante deixamos só o essencial aberto: veredito, resumo, riscos, oportunidades e como a empresa ganha dinheiro. Nada é removido — o resto abre a um clique.
Raio-X referência de 28/07/2026 · dados de mercado com atraso
nível: raio-x
A Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) é a elétrica estatal de Minas Gerais, controlada pelo Governo do Estado. É uma "utility integrada": faz geração (principalmente hidrelétrica), transmissão (linhas reguladas e estáveis) e distribuição (leva energia até o consumidor final em quase todo o estado, via Cemig D, com receita definida pela ANEEL a cada revisão tarifária). Tem ativos resilientes, gera caixa forte e é uma das maiores pagadoras de dividendos da Bolsa (yield já na casa de 9% em anos recentes, com ROE perto de 17%). A tese e o risco são o mesmo nó: o controle é público. Historicamente houve interferência política — expansão mal precificada, endividamento alto na década de 2010, dividendos que oscilam com a necessidade fiscal do Estado. É por isso que a ação negocia com desconto claro frente a pares privados (P/VP perto de 1x contra ~2,7x da Engie, P/L na casa de 6–7x): o mesmo ativo vale menos por causa da governança. O gatilho recorrente de alta é a discussão de privatização — que, se avançar, tende a reduzir esse desconto, mas depende de decisão política e pode não acontecer. Em resumo: uma boa elétrica com desconto estatal, cujo maior risco (e maior oportunidade) mora na governança pública.
Por onde começar — os 5 pontos que importam
Ignore os 30 indicadores por enquanto. Numa elétrica estatal integrada como a Cemig, comece por estes 5 pontos — nesta ordem.
O que a Cemig faz
A Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) é a empresa de energia elétrica do estado de Minas Gerais, controlada pelo Governo do Estado. É uma "utility integrada": atua nas três pontas do setor. GERA energia (principalmente em hidrelétricas, mais eólica e solar), TRANSMITE energia por linhas de alta tensão (via Cemig GT — geração e transmissão) e DISTRIBUI energia até o consumidor final em quase todo o território mineiro (via Cemig D — a distribuidora). É uma das maiores empresas do setor elétrico brasileiro e uma das maiores pagadoras de dividendos da Bolsa. Por ser estatal (economia mista, capital aberto), carrega uma característica que define sua tese: o controle é público.
Como ela ganha dinheiro
A Cemig ganha dinheiro nas três pontas. Na DISTRIBUIÇÃO (Cemig D), recebe uma tarifa regulada pela ANEEL para levar energia até as casas e empresas de Minas — é receita grande e recorrente, mas com margem definida pela agência a cada revisão tarifária. Na GERAÇÃO, vende a energia que produz em contratos (previsíveis) e no mercado livre (oscila com o preço). Na TRANSMISSÃO, recebe uma receita regulada e estável por disponibilizar as linhas. O custo principal aparece na compra de energia (quando gera menos do que vendeu, tipicamente em anos secos) e no custo de operar uma rede de distribuição enorme. O caixa que sobra é o que sustenta os dividendos — cuja distribuição, no fim, o controlador estatal ajuda a decidir.
Histórico
nível: raio-x
Os dividendos variam ano a ano. Veja a variação — e por que dividendo nunca é renda fixa garantida.
Dividendos pagos (R$ bi)
O que move esta ação
nível: raio-x
Os drivers que explicam a maior parte da oscilação — acompanhe estes, não o ruído diário.
📈 Política e governança do Estado de Minas
É o driver nº 1 e o que diferencia a Cemig de uma elétrica privada. Decisões de dividendo, investimento e a própria discussão de privatização passam pela política estadual e pela situação fiscal do Estado. Notícia política mexe na ação.
📈 Revisão tarifária e regulação (ANEEL)
A distribuição (Cemig D) tem a receita definida por revisões tarifárias periódicas. Uma revisão dura aperta a margem; regras favoráveis aliviam. É um risco regulatório que uma geradora pura não carrega no mesmo grau.
📈 Hidrologia e preço da energia
Como boa parte da geração é hidrelétrica, o volume de chuvas afeta quanto a empresa gera e quanto precisa comprar no mercado. E a parcela de energia não contratada oscila com o preço de mercado. Ano seco = resultado pior.
📈 Juros (Selic)
Como pagadora de dividendos, a Cemig compete com a renda fixa: Selic alta costuma pressionar o preço da ação. Juros também encarecem a dívida usada para financiar investimentos.
Vantagens e riscos
🟢 Vantagens competitivas
- Ativos resilientes e essenciais: energia é serviço de necessidade básica, com demanda estável mesmo em recessão — receita defensiva.
- Negócio integrado e diversificado: geração + transmissão + distribuição se complementam; a transmissão e a distribuição regulada dão previsibilidade que suaviza a oscilação da geração.
- Forte geração de caixa e histórico de dividendos altos: já foi uma das maiores pagadoras da Bolsa (yield na casa de 9% em anos recentes).
- Posição dominante em Minas Gerais: é a distribuidora de quase todo o estado, um dos maiores mercados consumidores do país — uma espécie de "monopólio regulado" na distribuição.
- Opcionalidade de privatização: se o controle sair do Estado, a redução de interferência política tende a destravar valor e reduzir o desconto da ação.
🔴 Riscos
- Risco político/governança (o principal): o controlador é o Governo de Minas. Decisões de dividendo, investimento e gestão podem priorizar o interesse do Estado — não o do minoritário. É a razão do desconto histórico da ação.
- Risco regulatório na distribuição: a Cemig D tem a receita definida pela ANEEL via revisão tarifária. Uma revisão dura aperta a margem — algo que uma geradora pura não sofre no mesmo grau.
- Risco hidrológico: boa parte da geração é hidrelétrica; anos secos reduzem a energia gerada e obrigam a comprar a diferença no mercado, apertando o resultado.
- Dividendo não garantido: o pagamento oscila com o lucro E com a necessidade de caixa do controlador estatal — não é uma mensalidade fixa.
- Privatização é incerta: o gatilho de alta mais citado (privatização) depende de decisão política e pode simplesmente não acontecer. Apostar nele é especular, não investir.
Os indicadores, explicados
nível: raio-x
O que cada número significa, como interpretá-lo — e o que ele diz sobre a Cemig.
Indicadores — todos, com histórico
nível: raio-x
Todos os indicadores num só painel — cada um com a própria evolução ao lado do número. Valuation usa o preço do dia; desempenho e estrutura vêm da CVM (LTM e série anual). Passe o mouse para ver a série.
Comparar com os pares
nível: raio-x
Como a Cemig se posiciona frente aos concorrentes diretos — nos indicadores que importam e na nota geral do Meta de Rico.
| Empresa | ROE | M. líq. | ROIC | DY | EV/EBIT | Score MdR |
|---|---|---|---|---|---|---|
| CMIG4 Cemig | 17,1% | 11,5% | 16,7% | 9,0% | — | 91/100 |
| EGIE3 Engie Brasil Energ | 18,6% | 20,1% | 39,2% | 4,5% | — | 78/100 |
| TAEE11 Taesa | 20,8% | 34,2% | 26,3% | 8,0% | — | 67/100 |
| CPLE3 Copel | 11,4% | 9,9% | — | 8,5% | — | — |
Comparação com empresas do mesmo setor (base anual, consistente entre todas). Score Meta de Rico = nota composta dos modelos clássicos (Graham, Bazin, Piotroski, Altman, ROE, ROIC…) — 0 a 100. Não é recomendação.
Como os modelos clássicos enxergam Cemig
Cada selo é do MODELO, não do Meta de Rico: diz se a empresa atende, não atende ou fica neutra aos critérios daquele método — com a fórmula, os números e os limites de cada um. Os números saem das demonstrações da CVM e da cotação de mercado, calculados pelo Meta de Rico (não copiados de outro site). Toque para abrir.
Bazin
Qual o preço máximo que eu pagaria por esta ação para receber um bom dividendo?
Segundo o modelo Bazin, a empresa ATENDE aos critérios — o preço atual está dentro do teto de R$ 23,09.
Quem criou
Décio Bazin
Problema que resolve
Investidores que vivem (ou querem viver) de renda precisam de um teto de preço para que o dividendo recebido faça sentido — sem isso, paga-se caro por uma renda pequena.
Como calcula
Preço-teto = (dividendo dos últimos 12 meses por ação) ÷ 0,06. A premissa é exigir um dividend yield mínimo de 6% ao ano.
Quando funciona
Em empresas perenes, com lucro e dividendo estáveis e previsíveis ano após ano — onde o dividendo passado é uma boa pista do dividendo futuro.
Quando o modelo falha
Numa estatal, o dividendo é, em parte, decisão política — pode mudar de um ano para o outro por motivos que nada têm a ver com o negócio.
Controle estatal: as decisões podem priorizar a política sobre o acionista (preços, investimentos e dividendos) — historicamente o risco número um deste tipo de empresa.
Como interpretar
O preço-teto NÃO é um alvo de compra: é o limite acima do qual, segundo a régua de Bazin, o dividendo deixa de compensar. Comparar o teto com o preço atual mostra de que lado da régua a ação está hoje.
Limitação
Olha só o dividendo — ignora dívida, crescimento e qualidade do negócio. Uma empresa pode estar "abaixo do teto" e ainda assim destruir valor. E o teto muda toda vez que o dividendo muda.
Aplicação nesta empresa
Segundo o modelo Bazin, a empresa ATENDE aos critérios — o preço atual está dentro do teto de R$ 23,09.
Graham
Estou pagando um preço razoável por uma empresa de balanço sólido?
Segundo o modelo Graham, a empresa ATENDE aos critérios — o preço está abaixo do Número de Graham (R$ 19,60).
Quem criou
Benjamin Graham
Problema que resolve
O pai do investimento em valor queria um método objetivo para evitar pagar caro e exigir uma margem de segurança no preço.
Como calcula
Número de Graham = √(22,5 × LPA × VPA), onde LPA = lucro por ação e VPA = valor patrimonial por ação. A constante 22,5 vem de P/L ≤ 15 e P/VP ≤ 1,5 (15 × 1,5 = 22,5).
Quando funciona
Em empresas maduras, lucrativas e com patrimônio real (indústria, varejo consolidado), onde balanço e lucro contam a história — o terreno onde Graham desenhou o método.
Quando o modelo falha
Em empresas sem lucro positivo (o número nem existe) e em negócios de ativos intangíveis (tecnologia, marcas), onde o valor patrimonial contábil pouco representa o valor real.
Controle estatal: as decisões podem priorizar a política sobre o acionista (preços, investimentos e dividendos) — historicamente o risco número um deste tipo de empresa.
Como interpretar
O Número de Graham é uma referência teórica de "preço justo conservador". Preço abaixo dele sugere margem de segurança pela régua de Graham; acima, não. É um filtro de partida, não uma sentença.
Limitação
Conservador e antigo: tende a descartar empresas de crescimento e de capital leve. Usa contabilidade, que pode estar distorcida. Os 7 critérios completos (liquidez, histórico de lucro e dividendo) exigem mais dados do que o número isolado.
Aplicação nesta empresa
Segundo o modelo Graham, a empresa ATENDE aos critérios — o preço está abaixo do Número de Graham (R$ 19,60).
Fórmula Mágica
Esta é uma empresa boa (gera muito retorno sobre o capital) comprada por um preço bom?
Segundo o modelo Fórmula Mágica, o resultado é NEUTRO — é um modelo de ranking entre muitas empresas; sozinho, mostra os números mas não classifica.
Quem criou
Joel Greenblatt
Problema que resolve
Greenblatt quis unir, num ranking só, qualidade do negócio (quanto retorna sobre o capital) e preço (quanto se paga pelo lucro operacional) — comprar empresas boas baratas, de forma sistemática.
Como calcula
Combina dois indicadores por RANKING: ROIC (retorno sobre o capital investido) — quanto maior, melhor — e Earnings Yield = EBIT ÷ EV (ou 1 ÷ EV/EBIT) — quanto maior, melhor. A nota final é a soma das duas posições no ranking.
Quando funciona
Como FILTRO de uma carteira ampla e diversificada, comparando muitas empresas entre si — foi assim que Greenblatt testou e validou a fórmula, nunca em uma ação isolada.
Quando o modelo falha
Em uma única empresa olhada fora de um ranking, a "nota" não significa quase nada — a Fórmula Mágica é relativa, compara umas com as outras. Também tropeça em bancos e seguradoras (a conta de capital é diferente).
Controle estatal: as decisões podem priorizar a política sobre o acionista (preços, investimentos e dividendos) — historicamente o risco número um deste tipo de empresa.
Como interpretar
Por ser um modelo de RANKING (relativo), o selo aqui costuma ser NEUTRO para uma empresa isolada: mostramos os dois números (ROIC e Earnings Yield) para você entender a régua, não para cravar aprovação.
Limitação
É um método de carteira e de média de longo prazo: pode passar anos atrás do mercado. Usa um retrato contábil de 12 meses, sensível a anos atípicos. Não avalia dívida nem governança.
Aplicação nesta empresa
Segundo o modelo Fórmula Mágica, o resultado é NEUTRO — é um modelo de ranking entre muitas empresas; sozinho, mostra os números mas não classifica.
Qualidade (estilo Buffett)
Este é um negócio excelente, com retornos altos e consistentes, que eu gostaria de ter por muito tempo?
Segundo o modelo Qualidade (estilo Buffett), o resultado é NEUTRO — é uma aproximação por um retrato de um período; provar qualidade exige consistência de vários anos.
Quem criou
Warren Buffett / Charlie Munger
Problema que resolve
Buffett deslocou o foco do "preço barato" para a "qualidade do negócio": prefere uma empresa excelente a um preço justo do que uma medíocre a um preço de banana.
Como calcula
Não há fórmula fechada — é uma APROXIMAÇÃO declarada por proxies de qualidade: ROE alto e consistente (≈ acima de 15%), margem líquida saudável e dívida sob controle, sustentados por anos (uma vantagem competitiva durável).
Quando funciona
Em empresas com marca forte, vantagem competitiva e histórico longo de retornos altos e estáveis (consumo, serviços essenciais) — onde o passado de qualidade tende a se repetir.
Quando o modelo falha
Quando se olha um único ano: qualidade Buffett é sobre CONSISTÊNCIA de muitos anos, não um retrato. Um ROE alto num ano isolado não prova vantagem durável. Numa estatal, a alocação de capital pode seguir interesse político, não o retorno do acionista — atrito direto com a tese de qualidade.
Controle estatal: as decisões podem priorizar a política sobre o acionista (preços, investimentos e dividendos) — historicamente o risco número um deste tipo de empresa.
Como interpretar
Tratamos como APROXIMAÇÃO declarada: os proxies (ROE, margem, dívida) sugerem qualidade, mas não capturam o que Buffett mais valoriza — a vantagem competitiva durável e a confiança na gestão, que não cabem num número.
Limitação
Qualidade alta não diz nada sobre PREÇO: pode-se pagar caro demais por um ótimo negócio. E os proxies de um ano não provam durabilidade — só o histórico longo prova.
Aplicação nesta empresa
Segundo o modelo Qualidade (estilo Buffett), o resultado é NEUTRO — é uma aproximação por um retrato de um período; provar qualidade exige consistência de vários anos.
Piotroski F-Score
A saúde financeira desta empresa está melhorando ou piorando de um ano para o outro?
Segundo o Piotroski F-Score, a saúde financeira ficou ESTÁVEL no último exercício — somou 3 de 8 sinais avaliáveis (2024→2025).
Quem criou
Joseph Piotroski
Problema que resolve
Piotroski queria separar, entre empresas aparentemente baratas, as que estavam realmente melhorando das que eram baratas porque iam mal.
Como calcula
Soma 9 sinais binários (1 ponto cada) em três grupos: rentabilidade (lucro positivo, fluxo de caixa operacional positivo, ROA subindo, caixa maior que o lucro), alavancagem/liquidez (dívida caindo, liquidez corrente subindo, sem emissão de ações) e eficiência (margem bruta subindo, giro do ativo subindo). Nota de 0 a 9.
Quando funciona
Como filtro de qualidade DENTRO de uma cesta de ações baratas (P/VP baixo): separa as que estão se recuperando das armadilhas de valor. Foi para isso que Piotroski o construiu.
Quando o modelo falha
Como sinal isolado de compra (ele complementa, não substitui o preço). E em bancos e seguradoras, onde os 9 sinais — pensados para empresas operacionais — perdem o sentido.
Como interpretar
Nota alta (6+) indica saúde financeira em melhora no último exercício; nota baixa (0–2) indica deterioração. É um termômetro de TENDÊNCIA do balanço de um ano para o outro, não um preço nem um selo de qualidade — diz se a empresa está ficando mais ou menos sólida. Nós avaliamos 8 dos 9 sinais: o 9º (emissão de novas ações) exige a contagem histórica de ações, que as demonstrações da CVM não trazem.
Limitação
Exige duas demonstrações financeiras seguidas para comparar (variações ano-a-ano). É puramente contábil e retrospectivo: mede o que já aconteceu, não o futuro. Um ano isolado ruim numa empresa sólida derruba a nota — leia sempre como tendência do ano, não como veredito sobre o negócio.
Aplicação nesta empresa
Segundo o Piotroski F-Score, a saúde financeira ficou ESTÁVEL no último exercício — somou 3 de 8 sinais avaliáveis (2024→2025).
Altman Z-Score
Qual o risco de esta empresa entrar em insolvência (quebrar) nos próximos anos?
Segundo o modelo Altman Z-Score, a empresa ATENDE aos critérios — Z'' de 5,40 está na zona segura (acima de 2,6).
Quem criou
Edward Altman
Problema que resolve
Altman buscou um único número que sinalizasse, com antecedência, a probabilidade de falência — antes que o problema ficasse óbvio no balanço.
Como calcula
Combina indicadores de balanço em pesos calibrados. A versão para mercados emergentes (Z'') usa: capital de giro/ativos, lucros retidos/ativos, EBIT/ativos e patrimônio/passivo total. Acima de uma faixa = zona segura; abaixo = zona de alerta.
Quando funciona
Em empresas industriais e operacionais de capital intensivo, para acender uma luz amarela ANTES da crise — o uso clássico e validado do modelo. Usamos a variante Z'' que o próprio Altman recomenda para mercados emergentes.
Quando o modelo falha
Em bancos, seguradoras e empresas financeiras, cuja estrutura de balanço é completamente diferente da que o modelo pressupõe. Numa estatal, o "risco de quebrar" também depende de fatores que não estão no balanço — como o respaldo (ou não) do governo controlador.
Como interpretar
Faixas do Z'': acima de 2,6 = zona segura; entre 1,1 e 2,6 = zona cinzenta (atenção); abaixo de 1,1 = zona de alerta. Z alto = baixo risco de insolvência. É um medidor de SOLVÊNCIA e fragilidade financeira — não diz nada sobre preço nem sobre qualidade do negócio.
Limitação
Calibrado para empresas não-financeiras; usa a variante Z'' por setor e país. Usa o balanço do último exercício fechado: uma piora muito recente pode ainda não ter aparecido nos números.
Aplicação nesta empresa
Segundo o modelo Altman Z-Score, a empresa ATENDE aos critérios — Z'' de 5,40 está na zona segura (acima de 2,6).
PEG (estilo Peter Lynch)
O preço desta ação está alinhado ao ritmo de crescimento dos seus lucros?
Segundo o modelo PEG (estilo Lynch), a empresa ATENDE aos critérios — o PEG ficou em 0,40 (preço acompanha o crescimento).
Quem criou
Peter Lynch
Problema que resolve
Lynch percebeu que um P/L "alto" pode ser justo se a empresa cresce rápido — e um P/L "baixo" pode ser caro se ela não cresce. O PEG corrige o P/L pelo crescimento.
Como calcula
PEG = P/L ÷ taxa de crescimento anual do lucro (g, em %). Regra de bolso de Lynch: PEG próximo de 1 é equilíbrio; abaixo de 1, o preço acompanha (ou fica atrás do) crescimento; acima de 1, o preço corre na frente.
Quando funciona
Em empresas de crescimento consistente e previsível, onde dá para estimar uma taxa (g) confiável — o terreno onde Lynch construiu seu histórico.
Quando o modelo falha
Quando o crescimento é instável ou impossível de estimar, ou quando a empresa não cresce (g zero ou negativo torna o PEG sem sentido).
Controle estatal: as decisões podem priorizar a política sobre o acionista (preços, investimentos e dividendos) — historicamente o risco número um deste tipo de empresa.
Como interpretar
PEG perto de 1 sugere preço e crescimento em equilíbrio pela régua de Lynch; quanto menor, mais o preço acompanha o crescimento. É uma lente sobre o P/L, não um veredito final.
Limitação
Depende inteiramente da estimativa de crescimento (g) — mude o g e o PEG muda tudo. Ignora dívida, qualidade e dividendos. Não funciona em empresas que não crescem.
Aplicação nesta empresa
Segundo o modelo PEG (estilo Lynch), a empresa ATENDE aos critérios — o PEG ficou em 0,40 (preço acompanha o crescimento).
Conteúdo educacional. Os selos aplicam fórmulas públicas a números datados e não são recomendação de compra ou venda. Mesma empresa, mesma data e mesma fórmula produzem sempre o mesmo selo.
O resultado da empresa em 5 linhas (DRE didática)
nível: avançado
A DRE de uma elétrica integrada estatal conta duas histórias ao mesmo tempo: a operação (energia gerada, transmitida e distribuída) e a marca do controlador (o quanto as decisões pesam no resultado). Vamos ler linha a linha — e ver onde o risco político entra no valuation.
| Linha | Referência | O que significa |
|---|---|---|
| Receita | ~R$ 40 bi (bruta, 2024) | Vem das três pontas: a distribuição (a maior fatia — a tarifa regulada que a ANEEL define para levar energia às casas de Minas), a venda de energia da geração (contratos + mercado livre) e a receita regulada da transmissão. A distribuição dá volume e recorrência; a geração dá o resultado que mais oscila. |
| Custo de energia comprada e encargos | (grande e variável) | Uma parte enorme da receita da distribuidora é apenas "repasse": a Cemig D compra energia para revender aos clientes. Aqui também mora o risco hidrológico da geração — em anos secos, gera menos do que vendeu e compra a diferença cara. É a linha que mais mexe no resultado de um ano para o outro. |
| Custos de operação e manutenção (O&M) | (relativamente estável) | Manter usinas, linhas de transmissão e, sobretudo, a gigantesca rede de distribuição de Minas: pessoal, manutenção, perdas. Numa estatal, a eficiência dessa linha é um termômetro da gestão — historicamente um ponto de atenção. |
| EBITDA | ~R$ 8–9 bi (2024, aprox.) | O caixa que a operação gera antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Numa elétrica, é o indicador-rei: mostra a força do negócio antes do peso da dívida. A Cemig gera EBITDA robusto — o negócio essencial é bom, e é isso que sustenta o dividendo. |
| Resultado financeiro (juros da dívida) | (peso relevante, hoje controlado) | A Cemig carrega dívida para financiar investimentos na rede e em geração. Hoje a dívida líquida/EBITDA está em patamar controlado (~2x), depois de anos de desalavancagem — mas na década de 2010 essa linha foi um problema, fruto de expansão agressiva sob gestão estatal. |
| Lucro líquido | ~R$ 3–5 bi (varia bastante) | O que sobra e sustenta o dividendo. Repare como OSCILA: foi ~R$ 3 bi em 2024 e mais alto em 2025, mexido por hidrologia, preços de energia e eventos regulatórios. E é sobre esse lucro que entra a decisão do controlador estatal: quanto distribuir passa pela política de Minas. |
Aproximações de 2024 para fins didáticos (fonte: releases e demonstrações da empresa/RI). Os valores exatos e auditados estão no RI da Cemig. Receita bruta e líquida de elétrica diferem bastante por causa dos encargos — confirme na fonte.
Fundamentos calculados (CVM)
nível: raio-x
Estes números não vêm de nenhum outro site: o Meta de Rico baixa as demonstrações oficiais da CVM e aplica a própria fórmula, exercício a exercício.
Lucro do acionista (R$ bi) × ROE (%)
Receita (R$ bi) × Margem líquida (%)
ReceitaR$ 25,4 biR$ 25,2 biR$ 33,6 biR$ 34,5 biR$ 36,8 biR$ 39,8 biR$ 42,8 bi
Quanto a empresa faturou no exercício — em bancos, é a receita de intermediação financeira. É o topo da linha: tudo (custos, margens, lucro) se mede a partir dela.
Lucro do acionistaR$ 3,1 biR$ 2,9 biR$ 3,8 biR$ 4,1 biR$ 5,8 biR$ 7,1 biR$ 4,9 bi
O lucro que sobra para os donos da empresa (atribuível aos controladores), depois de custos, despesas, juros e impostos. Cíclicas oscilam muito ano a ano — olhe a tendência, não um ano isolado.
Margem bruta22,8%21,3%20,0%19,8%22,8%20,5%16,9%
Quanto sobra de cada R$ 1 de receita depois do custo direto do produto/serviço. Margem bruta alta e estável sugere poder de preço ou custo baixo.
Margem EBIT12,2%18,7%20,7%16,5%19,6%24,8%15,8%
Resultado operacional (antes de juros e impostos) sobre a receita — mede a eficiência do negócio em si, sem efeito de dívida ou tributos.
Margem líquida12,3%11,4%11,1%11,9%15,6%17,9%11,5%
Quanto do faturamento vira lucro no fim. Compare com o histórico e o setor: margem caindo ano após ano é um sinal de alerta.
ROE19,7%16,4%19,3%18,8%23,4%26,0%17,1%
Retorno sobre o patrimônio: quanto de lucro a empresa gera sobre o capital dos sócios. ROE alto e consistente é sinal de eficiência — mas cuidado com ROE inflado por dívida alta.
ROA6,3%5,3%7,2%7,6%10,5%11,9%7,3%
Retorno sobre o ativo total: eficiência em transformar tudo o que a empresa possui em lucro. Bancos têm ROA naturalmente baixo (muito ativo).
Patrimônio líquidoR$ 15,9 biR$ 17,5 biR$ 19,5 biR$ 21,8 biR$ 24,7 biR$ 27,4 biR$ 28,6 bi
O que sobraria para os sócios se a empresa quitasse todas as dívidas: ativos menos passivos. Cresce quando a empresa retém lucro.
Ativo totalR$ 49,9 biR$ 54,1 biR$ 52,0 biR$ 53,7 biR$ 55,0 biR$ 59,7 biR$ 67,0 bi
Tudo o que a empresa possui e controla (caixa, estoques, imobilizado, etc.). A base sobre a qual o ROA é medido.
🧮 Calculado pelo Meta de Rico a partir das demonstrações financeiras públicas (CVM · DFP consolidada), exercício a exercício: lucro atribuível aos controladores; margem = lucro ÷ receita (em bancos, receita de intermediação); ROE = lucro ÷ PL; ROA = lucro ÷ ativo total. Não é o mesmo que os múltiplos "últimos 12 meses" de plataformas de mercado — aqui é o exercício fechado, auditável linha a linha. "n/c" = não calculável para este plano de contas.
Como ler os números desta empresa
nível: avançado
📋 No balanço
Numa elétrica integrada como a Cemig, olhe primeiro a divisão entre as três pontas: quanto vem da distribuição (regulada, recorrente), da geração (exposta a chuva e preço) e da transmissão (estável). Depois cheque o endividamento (dívida líquida/EBITDA) — aqui importa o histórico, porque a empresa já foi muito mais alavancada. Veja a rentabilidade (ROE e margem) e, no ativo, o quanto está investido na rede e em obras. Mas o mais importante numa estatal é ler o balanço com uma pergunta extra na cabeça: as decisões por trás desses números foram tomadas pensando no retorno do acionista ou no interesse do controlador estatal? Receita regulada estável, dívida sob controle e disciplina de investimento = a "assinatura" financeira saudável.
💵 No fluxo de caixa
O fluxo de caixa operacional mostra quanto dinheiro o negócio essencial da Cemig realmente gera — é a base do dividendo alto. Observe o descompasso: o caixa operacional é forte e previsível (energia é serviço de necessidade básica), mas parte é consumida por investimentos na rede e em novos projetos. O que sobra depois disso é o que sustenta o dividendo. Na Cemig, some a esse cálculo o fator político: a decisão de quanto distribuir passa pelo controlador estatal. Por isso o dividendo, mesmo com caixa forte, pode variar mais do que numa privada. Um fluxo de caixa operacional robusto e consistente é o que permite à Cemig investir E pagar dividendos altos ao mesmo tempo — quando a gestão é disciplinada.
Dividendos
A Cemig é conhecida como uma das maiores pagadoras de dividendos da Bolsa — o dividend yield já rondou a casa de 9% em anos recentes, e a empresa distribui pelo menos 50% do lucro como dividendo obrigatório. A base disso é a geração de caixa forte de um negócio essencial e integrado. A lição importante: dividendo de estatal tem uma variável a mais que o de uma privada. Além do lucro do ano (afetado por hidrologia e pela revisão tarifária da distribuição), o pagamento é influenciado pela necessidade de caixa do controlador — o Governo de Minas. Em anos de aperto fiscal do Estado, a pressão por dividendo tende a subir; em anos de investimento, pode cair. Quem compra Cemig por renda deve esperar um pagador generoso, mas com oscilação — e ciente de que a decisão final passa pela política.
Crescimento
O crescimento da Cemig é típico de utility: lento e intensivo em capital. Vem de investir na rede de distribuição (para atender mais clientes e melhorar a qualidade em Minas), de novos projetos de geração (eólica e solar, diversificando a matriz) e de ativos de transmissão conquistados em leilões. Depois de um ciclo passado de expansão agressiva mal precificada e endividamento alto, a empresa passou a focar em Minas Gerais e em disciplina de capital. O ponto de atenção: como o controle é estatal, o ritmo e a qualidade dos investimentos dependem também da política do Estado — o histórico mostra que expansão fora de hora já destruiu valor no passado.
Participação de mercado
A Cemig é uma das maiores empresas do setor elétrico brasileiro e a dona da distribuição de energia em quase todo o estado de Minas Gerais — um dos maiores mercados consumidores do país. Na distribuição, opera uma espécie de monopólio regulado: é praticamente a única a levar energia até o consumidor final na sua área de concessão. Some a isso um parque de geração relevante (principalmente hidrelétrico) e ativos de transmissão. Sua posição se sustenta na escala regional, na natureza essencial do serviço e na integração das três pontas do setor.
Quem controla a empresa
- O controlador é o Governo de Minas Gerais: as decisões estratégicas — inclusive política de dividendos e investimentos — passam pelo interesse do Estado. É o mesmo tipo de risco de controle público que afeta Petrobras e Banco do Brasil, aqui num contexto ESTADUAL.
- Histórico concreto de interferência: em ciclos passados houve expansão agressiva mal precificada, endividamento elevado e dividendos que variaram conforme a necessidade fiscal do Estado. O desconto na ação existe por causa disso — não é preconceito de mercado.
- CMIG4 é ação PREFERENCIAL (PN): dá prioridade no dividendo, mas em geral NÃO dá voto. Ou seja, o minoritário de CMIG4 é sócio dos lucros, mas quem decide o rumo é o controlador estatal — via ações ordinárias (CMIG3).
- A discussão de privatização é o contrapeso: se o controle sair da mão do Estado, a governança tende a melhorar e o desconto a diminuir. É uma possibilidade recorrente, não uma certeza.
Linha do tempo
nível: raio-x
Concorrentes
nível: raio-x
| Perfil | Dividendos | Risco principal | |
|---|---|---|---|
| CMIG4 | Estatal integrada de MG (geração, transmissão e distribuição) | Altos, porém sujeitos à política do Estado | Interferência política (controle público) + regulação da distribuição |
| CPLE6 | Integrada do PR, recém-privatizada (corporation) | Crescentes, com governança mais previsível | Execução pós-privatização; ainda amadurecendo |
| EGIE3 | Geradora privada, quase toda renovável | Bons e consistentes (variam com a hidrologia) | Risco hidrológico + alavancagem (sem risco político) |
Como avaliar uma elétrica estatal integrada (o método, não a resposta)
nível: avançado
O método replicável — aprenda uma vez, aplique em qualquer empresa do mesmo arquétipo.
- Separe as três pontas: geração (exposta a hidrologia e preço de energia), transmissão (receita regulada, estável) e distribuição (regulada por revisão tarifária). Cada uma tem um risco diferente — não trate a Cemig como um bloco só.
- Precifique o desconto político: estatal negocia abaixo dos pares privados (como Engie) de forma quase permanente. Entenda POR QUÊ o desconto existe antes de concluir que a ação está "barata". O mesmo ativo vale menos por causa da governança.
- Olhe a distribuição e o ciclo tarifário: na Cemig D, quem define quanto ela pode cobrar é a ANEEL, a cada revisão. Uma revisão dura aperta a margem; uma favorável alivia. É um risco regulatório que uma geradora pura (como a Engie) não tem no mesmo grau.
- Cheque a alavancagem e a hidrologia: dívida líquida/EBITDA num patamar controlado e uma matriz de geração que aguente anos secos. Estatal historicamente já se endividou demais — acompanhe.
- Faça a pergunta-chave: você aguenta um dividendo que oscila com a política do Estado e uma ação cujo maior gatilho de alta (privatização) pode simplesmente não acontecer? Se a resposta depende da privatização sair, você está apostando, não investindo.
Você já tem CMIG4 sem saber?
nível: raio-x
Antes de comprar CMIG4 direto, cheque se você JÁ tem Cemig sem saber.
🧺 ETFs de Ibovespa (ex.: BOVA11)
CMIG4 faz parte do Ibovespa — quem tem ETF de índice já carrega uma fatia de Cemig.
🧺 ETFs e fundos de dividendos (ex.: DIVO11)
Como uma das maiores pagadoras de dividendos da Bolsa, a Cemig costuma aparecer em índices e fundos de dividendos, às vezes com peso relevante.
🧺 Fundos de ações e previdência
Muitos fundos de renda e carteiras defensivas carregam elétricas. Consulte a carteira do seu fundo antes de dobrar a aposta.
Quanto isso renderia pra você?
Exemplo ilustrativo com os proventos dos últimos 12 meses (A Cemig é conhecida como boa pagadora — proventos por ação estimados (12m, aproximado; varia com o lucro e a decisão do controlador estatal): R$ 0,82/ação · preço de referência R$ 11,17 — ao vivo).
| Investimento | Ações (aprox.) | Proventos/ano | Por mês |
|---|---|---|---|
| R$ 10.000 | 895 | R$ 734 | R$ 61 |
| R$ 50.000 | 4.476 | R$ 3.670 | R$ 306 |
| R$ 100.000 | 8.952 | R$ 7.341 | R$ 612 |
⚠️ Passado ≠ futuro: os proventos variam de um ano pro outro e não são garantidos (veja a seção "Fundamentos calculados" e o histórico mais abaixo). Números de referência de 2026-07-05, conferidos com plataformas de mercado — confirme no RI. Sem reinvestimento e sem imposto. É um exercício educacional, não projeção nem recomendação.
Imposto de Renda: como declarar
nível: avançado
Regras vigentes em 2026 — tributação muda; confirme na Receita/seu contador.
- Dividendos: isentos de IR para pessoa física (regra atual).
- JCP (Juros sobre Capital Próprio): retenção de 15% na fonte — a Cemig costuma remunerar via dividendos e JCP.
- Venda com lucro: isenção para vendas de até R$ 20 mil/mês (ações, swing); acima disso, 15% sobre o ganho (20% em day trade). DARF até o último dia útil do mês seguinte.
- Na declaração anual: Bens e Direitos, grupo 03 (Participações societárias), código 01 — Cemig (CMIG4), pelo custo de aquisição.
- Proventos recebidos: dividendos em "Rendimentos Isentos"; JCP em "Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva".
Perguntas frequentes
A Cemig é a empresa de energia elétrica de Minas Gerais. Ela faz as três coisas do setor: gera energia (em usinas, principalmente hidrelétricas), transmite (por linhas de alta tensão) e distribui (leva a energia até a casa das pessoas e das empresas em quase todo o estado). É uma das maiores elétricas do país e uma das maiores pagadoras de dividendos da Bolsa.
Sim. É uma empresa de economia mista controlada pelo Governo do Estado de Minas Gerais — ou seja, o controle é público, estadual. É o ponto central da tese: as decisões passam pela política do Estado, o que traz tanto o risco (interferência) quanto o desconto no preço da ação. Isso a diferencia de uma elétrica privada como a Engie.
Uma empresa "integrada" faz geração, transmissão E distribuição — cada uma com uma lógica diferente. A geração vive de concessões e do preço da energia (e sofre com anos secos). A transmissão é receita regulada e estável. A distribuição é regulada por revisão tarifária: a agência (ANEEL) redefine periodicamente quanto a empresa pode cobrar. Ou seja, a Cemig tem um risco regulatório na distribuição que uma geradora pura não tem.
Historicamente sim — é uma das maiores pagadoras da Bolsa, com dividend yield que já rondou a casa de 9% ao ano, e distribui pelo menos 50% do lucro como dividendo obrigatório. Mas o valor varia: depende do lucro (afetado por hidrologia e regulação) e, num ponto que só existe em estatal, da necessidade de caixa do controlador — o Governo de Minas.
É uma discussão recorrente, mais recentemente ligada à ideia de o Estado usar sua participação na Cemig para abater dívidas (precatórios). Se avançar, a tendência é reduzir a interferência política e diminuir o desconto da ação — por isso o mercado se anima com o tema. Mas depende de decisão política e pode não acontecer. Comprar a ação apostando SÓ na privatização é especular, não investir.
Porque o controle é estatal. O mercado cobra um "desconto de governança": o mesmo tipo de ativo (uma boa elétrica) vale menos quando quem manda é o poder público, porque as decisões podem priorizar o interesse do Estado, não o do minoritário. A Engie, privada, negocia com P/VP de ~2,7x; a Cemig, perto de 1x. A diferença é, em boa parte, o preço do risco político.
Depende do seu objetivo, prazo e tolerância ao risco — e isto não é recomendação. A Cemig tem ativos resilientes, gera caixa forte e paga dividendos altos, mas carrega riscos próprios de estatal: interferência política, dividendos que oscilam com a política do Estado, regulação da distribuição e uma privatização incerta. O essencial é entender que você está comprando um bom ativo com um desconto que existe por um motivo — e decidir se esse motivo cabe no seu plano.
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Notícias e fatos relevantes
Notícia mexe no preço no curto prazo — mas o que muda a TESE são os fatos relevantes que a empresa é obrigada a publicar (resultados, dividendos, mudanças de comando). Antes de reagir a manchete, confira a fonte oficial.
💡 Regra da casa: notícia contextualiza — quem decide é o seu método e o seu plano.
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Aprenda e coloque em prática
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Conhecer o método →Conteúdo educacional — não é recomendação de investimento.
Fontes e transparência
Conteúdo educacional produzido pelo Meta de Rico — rascunho assistido por IA, revisado por humano antes de publicar. Atualizado em 2026-07-05.
Conteúdo educacional do Meta de Rico — não é recomendação de investimento. Indicadores e gráficos são aproximados; confirme os números atuais nas fontes oficiais. Faça sua própria análise e considere seu perfil.