Empresa barata, lucrativa — principal risco: rentabilidade abaixo dos pares.
- negocia com desconto de 40% ante o valor justo estimado (Graham)
- remunera o acionista acima da média: dividend yield de 8,50%
o ROE (~13%) ficou anos atrás do Itaú (~20%); a tese depende de a reestruturação fechar essa distância — e turnaround é execução, não garantia.
Ver todos os riscos →O Bradesco é um dos maiores bancos privados do país, com peso enorme em seguros (Bradesco Seguros). Depois de anos de rentabilidade abaixo dos pares, entrou numa reestruturação sob nova gestão (plano de 5 anos, iniciado em 2024) para elevar o ROE. A tese hoje é de recuperação: negocia perto do patrimônio (P/VP ~1) porque o ROE ainda está abaixo do Itaú. Riscos: inadimplência, execução do turnaround e concorrência digital.
Resumo em 2 minutos
O Banco Bradesco é um dos maiores bancos privados do Brasil. Faz o que um banco completo faz: guarda o dinheiro das pessoas e empresas em contas, empresta (crédito, financiamento, cartão), administra investimentos e processa pagamentos. Mas tem uma peça que o diferencia: a Bradesco Seguros, uma das maiores seguradoras do país (seguros de vida, saúde, auto, previdência e capitalização), que é parte central do seu resultado. Atende desde a pessoa física comum até grandes empresas. Um banco ganha dinheiro de duas formas principais. A primeira é a margem financeira (o "spread"): capta dinheiro barato (de quem deposita) e empresta mais caro — a diferença é o lucro. A segunda são as tarifas e comissões: conta, cartão, administração de fundos, corretagem. No Bradesco há ainda um terceiro motor forte: os seguros, que geram um lucro grande e mais estável que o crédito. O grande inimigo do resultado é a inadimplência — quando o cliente não paga o que pegou emprestado, o banco precisa provisionar e o lucro encolhe.
Resumo completo
O Banco Bradesco é um dos maiores bancos privados do Brasil, com um diferencial: a Bradesco Seguros, uma das maiores seguradoras da América Latina, que dá ao grupo um lucro grande e mais estável que o do crédito. Ganha dinheiro com a diferença entre o que paga a quem deposita e o que cobra de quem pega emprestado (o spread), mais tarifas e, principalmente, seguros. Nos últimos anos, uma piora de inadimplência derrubou sua rentabilidade: o ROE caiu para cerca de 13%, bem abaixo do Itaú (~20%). Por isso a ação negocia perto de 1x o patrimônio (P/VP ~1,1), sem o ágio dos bancos muito rentáveis. Desde 2024, sob nova gestão (Marcelo Noronha), toca um plano de transformação de 5 anos para cortar custos e recuperar rentabilidade — e o lucro já voltou a crescer (~+26% em 2025). Em resumo: é uma tese de RECUPERAÇÃO, com dividendos consistentes, mas que depende da execução do turnaround e segue exposta à inadimplência e à economia brasileira.
Principais riscos
- Rentabilidade abaixo dos pares: o ROE (~13%) ficou anos atrás do Itaú (~20%); a tese depende de a reestruturação fechar essa distância — e turnaround é execução, não garantia.
- Inadimplência: em recessão ou juros altos, mais clientes deixam de pagar e o lucro encolhe — foi exatamente aí que o Bradesco tropeçou no passado.
- Ciclo econômico: o resultado acompanha a economia do Brasil; emprego fraco e crédito caro pesam.
- Competição digital: Nubank, fintechs e bancos digitais brigam por tarifas e clientes no varejo, onde o Bradesco é forte.
- Concentração no Brasil: a maior parte do resultado depende da economia brasileira e do seu humor político e cambial.
Principais oportunidades
- Escala gigante: uma das maiores bases de clientes e redes de atendimento do país, com forte presença no varejo e no interior do Brasil.
- Bradesco Seguros: uma das maiores seguradoras da América Latina, que dá ao banco uma fonte de lucro robusta e mais estável que o crédito puro.
- Marca tradicional e captação barata: décadas de história e milhões de correntistas garantem funding estável.
- Reestruturação em curso: plano de transformação de 5 anos (desde 2024) focado em eficiência e rentabilidade — o lucro já voltou a crescer.
- Diversificação de receita: crédito, tarifas, seguros, previdência e gestão de recursos — não depende de uma única fonte.
Banco Bradesco BBDC4 · Ação preferencial (PN)
Um dos maiores bancos privados do Brasil, forte em crédito e seguros, em meio a uma reestruturação para recuperar rentabilidade.
No Iniciante deixamos só o essencial aberto: veredito, resumo, riscos, oportunidades e como a empresa ganha dinheiro. Nada é removido — o resto abre a um clique.
Raio-X referência de 28/07/2026 · dados de mercado com atraso
nível: raio-x
O Banco Bradesco é um dos maiores bancos privados do Brasil, com um diferencial: a Bradesco Seguros, uma das maiores seguradoras da América Latina, que dá ao grupo um lucro grande e mais estável que o do crédito. Ganha dinheiro com a diferença entre o que paga a quem deposita e o que cobra de quem pega emprestado (o spread), mais tarifas e, principalmente, seguros. Nos últimos anos, uma piora de inadimplência derrubou sua rentabilidade: o ROE caiu para cerca de 13%, bem abaixo do Itaú (~20%). Por isso a ação negocia perto de 1x o patrimônio (P/VP ~1,1), sem o ágio dos bancos muito rentáveis. Desde 2024, sob nova gestão (Marcelo Noronha), toca um plano de transformação de 5 anos para cortar custos e recuperar rentabilidade — e o lucro já voltou a crescer (~+26% em 2025). Em resumo: é uma tese de RECUPERAÇÃO, com dividendos consistentes, mas que depende da execução do turnaround e segue exposta à inadimplência e à economia brasileira.
Por onde começar — os 5 pontos que importam
Ignore os 35 indicadores por enquanto. Num bancão como o Bradesco — e ainda mais num que está em reestruturação — comece por estes 5 pontos, nesta ordem.
O que a Banco Bradesco faz
O Banco Bradesco é um dos maiores bancos privados do Brasil. Faz o que um banco completo faz: guarda o dinheiro das pessoas e empresas em contas, empresta (crédito, financiamento, cartão), administra investimentos e processa pagamentos. Mas tem uma peça que o diferencia: a Bradesco Seguros, uma das maiores seguradoras do país (seguros de vida, saúde, auto, previdência e capitalização), que é parte central do seu resultado. Atende desde a pessoa física comum até grandes empresas.
Como ela ganha dinheiro
Um banco ganha dinheiro de duas formas principais. A primeira é a margem financeira (o "spread"): capta dinheiro barato (de quem deposita) e empresta mais caro — a diferença é o lucro. A segunda são as tarifas e comissões: conta, cartão, administração de fundos, corretagem. No Bradesco há ainda um terceiro motor forte: os seguros, que geram um lucro grande e mais estável que o crédito. O grande inimigo do resultado é a inadimplência — quando o cliente não paga o que pegou emprestado, o banco precisa provisionar e o lucro encolhe.
Histórico
nível: raio-x
Os dividendos variam ano a ano. Veja a variação — e por que dividendo nunca é renda fixa garantida.
Dividendos pagos (R$ bi)
O que move esta ação
nível: raio-x
Os drivers que explicam a maior parte da oscilação — acompanhe estes, não o ruído diário.
📈 Selic (juros)
Juros altos engordam o spread e o resultado da tesouraria, mas encarecem o crédito e aumentam o calote. O efeito líquido depende do ciclo — a Selic é a variável nº 1 de um banco.
📈 Inadimplência / ciclo de crédito
Emprego e renda ditam quem paga em dia. Inadimplência subindo força mais provisões (PDD) e come o lucro — foi o que derrubou a rentabilidade do Bradesco no passado, e segue sendo o termômetro nº 1.
📈 Execução da reestruturação
A tese do Bradesco hoje depende do plano de transformação de 5 anos: cortar custos, melhorar a carteira e recuperar o ROE. É um driver de EXECUÇÃO, não só de mercado — pode dar certo mais rápido ou mais devagar que o esperado.
📈 Regulação e concorrência (PIX/fintechs)
O Banco Central dita as regras: o PIX zerou tarifas de transferência e as fintechs comprimem margens do varejo, justamente onde o Bradesco é forte. Pressão estrutural sobre as receitas de serviços.
Vantagens e riscos
🟢 Vantagens competitivas
- Escala gigante: uma das maiores bases de clientes e redes de atendimento do país, com forte presença no varejo e no interior do Brasil.
- Bradesco Seguros: uma das maiores seguradoras da América Latina, que dá ao banco uma fonte de lucro robusta e mais estável que o crédito puro.
- Marca tradicional e captação barata: décadas de história e milhões de correntistas garantem funding estável.
- Reestruturação em curso: plano de transformação de 5 anos (desde 2024) focado em eficiência e rentabilidade — o lucro já voltou a crescer.
- Diversificação de receita: crédito, tarifas, seguros, previdência e gestão de recursos — não depende de uma única fonte.
🔴 Riscos
- Rentabilidade abaixo dos pares: o ROE (~13%) ficou anos atrás do Itaú (~20%); a tese depende de a reestruturação fechar essa distância — e turnaround é execução, não garantia.
- Inadimplência: em recessão ou juros altos, mais clientes deixam de pagar e o lucro encolhe — foi exatamente aí que o Bradesco tropeçou no passado.
- Ciclo econômico: o resultado acompanha a economia do Brasil; emprego fraco e crédito caro pesam.
- Competição digital: Nubank, fintechs e bancos digitais brigam por tarifas e clientes no varejo, onde o Bradesco é forte.
- Concentração no Brasil: a maior parte do resultado depende da economia brasileira e do seu humor político e cambial.
Os indicadores, explicados
nível: raio-x
O que cada número significa, como interpretá-lo — e o que ele diz sobre a Banco Bradesco.
Indicadores — todos, com histórico
nível: raio-x
Todos os indicadores num só painel — cada um com a própria evolução ao lado do número. Valuation usa o preço do dia; desempenho e estrutura vêm da CVM (LTM e série anual). Passe o mouse para ver a série.
Comparar com os pares
nível: raio-x
Como a Banco Bradesco se posiciona frente aos concorrentes diretos — nos indicadores que importam e na nota geral do Meta de Rico.
| Empresa | ROE | M. líq. | ROIC | DY | EV/EBIT | Score MdR |
|---|---|---|---|---|---|---|
| BBDC4 Banco Bradesco | 13,2% | 8,8% | — | 8,5% | — | 50/100 |
| ITUB4 Itaú Unibanco | 20,9% | 11,6% | — | 8,0% | — | 88/100 |
| BBAS3 Banco do Brasil | 7,1% | 4,3% | — | 2,8% | — | 14/100 |
Comparação com empresas do mesmo setor (base anual, consistente entre todas). Score Meta de Rico = nota composta dos modelos clássicos (Graham, Bazin, Piotroski, Altman, ROE, ROIC…) — 0 a 100. Não é recomendação.
Como os modelos clássicos enxergam Banco Bradesco
Cada selo é do MODELO, não do Meta de Rico: diz se a empresa atende, não atende ou fica neutra aos critérios daquele método — com a fórmula, os números e os limites de cada um. Os números saem das demonstrações da CVM e da cotação de mercado, calculados pelo Meta de Rico (não copiados de outro site). Toque para abrir.
Bazin
Qual o preço máximo que eu pagaria por esta ação para receber um bom dividendo?
Segundo o modelo Bazin, a empresa ATENDE aos critérios — o preço atual está dentro do teto de R$ 19,58.
Quem criou
Décio Bazin
Problema que resolve
Investidores que vivem (ou querem viver) de renda precisam de um teto de preço para que o dividendo recebido faça sentido — sem isso, paga-se caro por uma renda pequena.
Como calcula
Preço-teto = (dividendo dos últimos 12 meses por ação) ÷ 0,06. A premissa é exigir um dividend yield mínimo de 6% ao ano.
Quando funciona
Em empresas perenes, com lucro e dividendo estáveis e previsíveis ano após ano — onde o dividendo passado é uma boa pista do dividendo futuro.
Quando o modelo falha
Quando o dividendo passado não diz nada sobre o futuro — empresas em crescimento que reinvestem tudo, ou negócios cujos lucros oscilam muito. O teto vira um número bonito sem lastro.
Como interpretar
O preço-teto NÃO é um alvo de compra: é o limite acima do qual, segundo a régua de Bazin, o dividendo deixa de compensar. Comparar o teto com o preço atual mostra de que lado da régua a ação está hoje.
Limitação
Olha só o dividendo — ignora dívida, crescimento e qualidade do negócio. Uma empresa pode estar "abaixo do teto" e ainda assim destruir valor. E o teto muda toda vez que o dividendo muda.
Aplicação nesta empresa
Segundo o modelo Bazin, a empresa ATENDE aos critérios — o preço atual está dentro do teto de R$ 19,58.
Graham
Estou pagando um preço razoável por uma empresa de balanço sólido?
Segundo o modelo Graham, a empresa ATENDE aos critérios — o preço está abaixo do Número de Graham (R$ 30,65).
Quem criou
Benjamin Graham
Problema que resolve
O pai do investimento em valor queria um método objetivo para evitar pagar caro e exigir uma margem de segurança no preço.
Como calcula
Número de Graham = √(22,5 × LPA × VPA), onde LPA = lucro por ação e VPA = valor patrimonial por ação. A constante 22,5 vem de P/L ≤ 15 e P/VP ≤ 1,5 (15 × 1,5 = 22,5).
Quando funciona
Em empresas maduras, lucrativas e com patrimônio real (indústria, varejo consolidado), onde balanço e lucro contam a história — o terreno onde Graham desenhou o método.
Quando o modelo falha
Em empresas sem lucro positivo (o número nem existe) e em negócios de ativos intangíveis (tecnologia, marcas), onde o valor patrimonial contábil pouco representa o valor real.
Como interpretar
O Número de Graham é uma referência teórica de "preço justo conservador". Preço abaixo dele sugere margem de segurança pela régua de Graham; acima, não. É um filtro de partida, não uma sentença.
Limitação
Conservador e antigo: tende a descartar empresas de crescimento e de capital leve. Usa contabilidade, que pode estar distorcida. Os 7 critérios completos (liquidez, histórico de lucro e dividendo) exigem mais dados do que o número isolado.
Aplicação nesta empresa
Segundo o modelo Graham, a empresa ATENDE aos critérios — o preço está abaixo do Número de Graham (R$ 30,65).
Fórmula Mágica
Esta é uma empresa boa (gera muito retorno sobre o capital) comprada por um preço bom?
O modelo Fórmula Mágica NÃO SE APLICA a esta empresa — em bancos e seguradoras a conta de capital investido e EBIT não se encaixa no modelo.
Quem criou
Joel Greenblatt
Problema que resolve
Greenblatt quis unir, num ranking só, qualidade do negócio (quanto retorna sobre o capital) e preço (quanto se paga pelo lucro operacional) — comprar empresas boas baratas, de forma sistemática.
Como calcula
Combina dois indicadores por RANKING: ROIC (retorno sobre o capital investido) — quanto maior, melhor — e Earnings Yield = EBIT ÷ EV (ou 1 ÷ EV/EBIT) — quanto maior, melhor. A nota final é a soma das duas posições no ranking.
Os números entram quando o dado estiver no registro — acima, como o cálculo funciona.
Quando funciona
Como FILTRO de uma carteira ampla e diversificada, comparando muitas empresas entre si — foi assim que Greenblatt testou e validou a fórmula, nunca em uma ação isolada.
Quando o modelo falha
Em uma única empresa olhada fora de um ranking, a "nota" não significa quase nada — a Fórmula Mágica é relativa, compara umas com as outras. Também tropeça em bancos e seguradoras (a conta de capital é diferente).
Como interpretar
Por ser um modelo de RANKING (relativo), o selo aqui costuma ser NEUTRO para uma empresa isolada: mostramos os dois números (ROIC e Earnings Yield) para você entender a régua, não para cravar aprovação.
Limitação
É um método de carteira e de média de longo prazo: pode passar anos atrás do mercado. Usa um retrato contábil de 12 meses, sensível a anos atípicos. Não avalia dívida nem governança.
Aplicação nesta empresa
O modelo Fórmula Mágica NÃO SE APLICA a esta empresa — em bancos e seguradoras a conta de capital investido e EBIT não se encaixa no modelo.
Qualidade (estilo Buffett)
Este é um negócio excelente, com retornos altos e consistentes, que eu gostaria de ter por muito tempo?
Segundo o modelo Qualidade (estilo Buffett), o resultado é NEUTRO — é uma aproximação por um retrato de um período; provar qualidade exige consistência de vários anos.
Quem criou
Warren Buffett / Charlie Munger
Problema que resolve
Buffett deslocou o foco do "preço barato" para a "qualidade do negócio": prefere uma empresa excelente a um preço justo do que uma medíocre a um preço de banana.
Como calcula
Não há fórmula fechada — é uma APROXIMAÇÃO declarada por proxies de qualidade: ROE alto e consistente (≈ acima de 15%), margem líquida saudável e dívida sob controle, sustentados por anos (uma vantagem competitiva durável).
Quando funciona
Em empresas com marca forte, vantagem competitiva e histórico longo de retornos altos e estáveis (consumo, serviços essenciais) — onde o passado de qualidade tende a se repetir.
Quando o modelo falha
Quando se olha um único ano: qualidade Buffett é sobre CONSISTÊNCIA de muitos anos, não um retrato. Um ROE alto num ano isolado não prova vantagem durável.
Como interpretar
Tratamos como APROXIMAÇÃO declarada: os proxies (ROE, margem, dívida) sugerem qualidade, mas não capturam o que Buffett mais valoriza — a vantagem competitiva durável e a confiança na gestão, que não cabem num número.
Limitação
Qualidade alta não diz nada sobre PREÇO: pode-se pagar caro demais por um ótimo negócio. E os proxies de um ano não provam durabilidade — só o histórico longo prova.
Aplicação nesta empresa
Segundo o modelo Qualidade (estilo Buffett), o resultado é NEUTRO — é uma aproximação por um retrato de um período; provar qualidade exige consistência de vários anos.
Piotroski F-Score
A saúde financeira desta empresa está melhorando ou piorando de um ano para o outro?
O modelo Piotroski F-Score NÃO SE APLICA a esta empresa — em bancos e seguradoras os 9 sinais, pensados para empresas operacionais, perdem o sentido.
Quem criou
Joseph Piotroski
Problema que resolve
Piotroski queria separar, entre empresas aparentemente baratas, as que estavam realmente melhorando das que eram baratas porque iam mal.
Como calcula
Soma 9 sinais binários (1 ponto cada) em três grupos: rentabilidade (lucro positivo, fluxo de caixa operacional positivo, ROA subindo, caixa maior que o lucro), alavancagem/liquidez (dívida caindo, liquidez corrente subindo, sem emissão de ações) e eficiência (margem bruta subindo, giro do ativo subindo). Nota de 0 a 9.
Os números entram quando o dado estiver no registro — acima, como o cálculo funciona.
Quando funciona
Como filtro de qualidade DENTRO de uma cesta de ações baratas (P/VP baixo): separa as que estão se recuperando das armadilhas de valor. Foi para isso que Piotroski o construiu.
Quando o modelo falha
Como sinal isolado de compra (ele complementa, não substitui o preço). E em bancos e seguradoras, onde os 9 sinais — pensados para empresas operacionais — perdem o sentido.
Como interpretar
Nota alta (6+) indica saúde financeira em melhora no último exercício; nota baixa (0–2) indica deterioração. É um termômetro de TENDÊNCIA do balanço de um ano para o outro, não um preço nem um selo de qualidade — diz se a empresa está ficando mais ou menos sólida. Nós avaliamos 8 dos 9 sinais: o 9º (emissão de novas ações) exige a contagem histórica de ações, que as demonstrações da CVM não trazem.
Limitação
Exige duas demonstrações financeiras seguidas para comparar (variações ano-a-ano). É puramente contábil e retrospectivo: mede o que já aconteceu, não o futuro. Um ano isolado ruim numa empresa sólida derruba a nota — leia sempre como tendência do ano, não como veredito sobre o negócio.
Aplicação nesta empresa
O modelo Piotroski F-Score NÃO SE APLICA a esta empresa — em bancos e seguradoras os 9 sinais, pensados para empresas operacionais, perdem o sentido.
Altman Z-Score
Qual o risco de esta empresa entrar em insolvência (quebrar) nos próximos anos?
O modelo Altman Z-Score NÃO SE APLICA a esta empresa — não se aplica a bancos, seguradoras e financeiras — a estrutura de balanço é outra.
Quem criou
Edward Altman
Problema que resolve
Altman buscou um único número que sinalizasse, com antecedência, a probabilidade de falência — antes que o problema ficasse óbvio no balanço.
Como calcula
Combina indicadores de balanço em pesos calibrados. A versão para mercados emergentes (Z'') usa: capital de giro/ativos, lucros retidos/ativos, EBIT/ativos e patrimônio/passivo total. Acima de uma faixa = zona segura; abaixo = zona de alerta.
Os números entram quando o dado estiver no registro — acima, como o cálculo funciona.
Quando funciona
Em empresas industriais e operacionais de capital intensivo, para acender uma luz amarela ANTES da crise — o uso clássico e validado do modelo. Usamos a variante Z'' que o próprio Altman recomenda para mercados emergentes.
Quando o modelo falha
Em bancos, seguradoras e empresas financeiras, cuja estrutura de balanço é completamente diferente da que o modelo pressupõe.
Como interpretar
Faixas do Z'': acima de 2,6 = zona segura; entre 1,1 e 2,6 = zona cinzenta (atenção); abaixo de 1,1 = zona de alerta. Z alto = baixo risco de insolvência. É um medidor de SOLVÊNCIA e fragilidade financeira — não diz nada sobre preço nem sobre qualidade do negócio.
Limitação
Calibrado para empresas não-financeiras; usa a variante Z'' por setor e país. Usa o balanço do último exercício fechado: uma piora muito recente pode ainda não ter aparecido nos números.
Aplicação nesta empresa
O modelo Altman Z-Score NÃO SE APLICA a esta empresa — não se aplica a bancos, seguradoras e financeiras — a estrutura de balanço é outra.
PEG (estilo Peter Lynch)
O preço desta ação está alinhado ao ritmo de crescimento dos seus lucros?
Segundo o modelo PEG (estilo Lynch), a empresa NÃO ATENDE aos critérios — o PEG ficou em 1,57 (preço à frente do crescimento).
Quem criou
Peter Lynch
Problema que resolve
Lynch percebeu que um P/L "alto" pode ser justo se a empresa cresce rápido — e um P/L "baixo" pode ser caro se ela não cresce. O PEG corrige o P/L pelo crescimento.
Como calcula
PEG = P/L ÷ taxa de crescimento anual do lucro (g, em %). Regra de bolso de Lynch: PEG próximo de 1 é equilíbrio; abaixo de 1, o preço acompanha (ou fica atrás do) crescimento; acima de 1, o preço corre na frente.
Quando funciona
Em empresas de crescimento consistente e previsível, onde dá para estimar uma taxa (g) confiável — o terreno onde Lynch construiu seu histórico.
Quando o modelo falha
Quando o crescimento é instável ou impossível de estimar, ou quando a empresa não cresce (g zero ou negativo torna o PEG sem sentido).
Como interpretar
PEG perto de 1 sugere preço e crescimento em equilíbrio pela régua de Lynch; quanto menor, mais o preço acompanha o crescimento. É uma lente sobre o P/L, não um veredito final.
Limitação
Depende inteiramente da estimativa de crescimento (g) — mude o g e o PEG muda tudo. Ignora dívida, qualidade e dividendos. Não funciona em empresas que não crescem.
Aplicação nesta empresa
Segundo o modelo PEG (estilo Lynch), a empresa NÃO ATENDE aos critérios — o PEG ficou em 1,57 (preço à frente do crescimento).
Conteúdo educacional. Os selos aplicam fórmulas públicas a números datados e não são recomendação de compra ou venda. Mesma empresa, mesma data e mesma fórmula produzem sempre o mesmo selo.
O resultado da empresa em 5 linhas (DRE didática)
nível: avançado
A DRE de banco é outro bicho: não existe "receita de vendas" nem EBITDA — o banco vive de margem financeira (a diferença entre captar barato e emprestar caro), de serviços e, no Bradesco, de seguros. Aqui ela conta uma história de RECUPERAÇÃO: o lucro caiu, tocou o fundo e voltou a subir.
| Linha | Referência | O que significa |
|---|---|---|
| Margem financeira | ~R$ 70 bi (2025, aprox.) | É a "receita" principal de um banco: o que ele ganha emprestando mais caro do que paga a quem deposita (o spread), mais o resultado da tesouraria. |
| Resultado de seguros | ~R$ 10 bi de lucro (Bradesco Seguros) | O diferencial do Bradesco: uma das maiores seguradoras do país. Lucro grande e mais estável que o do crédito — funciona como amortecedor quando a inadimplência aperta. |
| Receita de serviços | ~R$ 40 bi | Tarifas, cartões, administração de fundos — dinheiro que entra sem depender de emprestar, e por isso deixa o lucro mais estável. |
| PDD (provisão para calote) | linha decisiva | A cada empréstimo, o banco separa dinheiro para os clientes que NÃO vão pagar — é a Provisão para Devedores Duvidosos. Foi a explosão dessa linha, com a alta da inadimplência, que derrubou o lucro do Bradesco anos atrás. |
| Lucro líquido | ~R$ 24,6 bi (2025) | O que sobrou depois de provisões, despesas e impostos. Caiu para ~R$ 16 bi em 2023, subiu para ~R$ 19,5 bi em 2024 e ~R$ 24,6 bi em 2025 (+26%) — o retrato da reestruturação em curso, com o ROE ainda em recuperação (~13%). |
Aproximações de 2025 para fins didáticos (fonte: demonstrações da empresa/RI). A DRE completa e auditada está no RI.
Fundamentos calculados (CVM)
nível: raio-x
Estes números não vêm de nenhum outro site: o Meta de Rico baixa as demonstrações oficiais da CVM e aplica a própria fórmula, exercício a exercício.
Lucro do acionista (R$ bi) × ROE (%)
Receita (R$ bi) × Margem líquida (%)
ReceitaR$ 124,3 biR$ 98,4 biR$ 125,4 biR$ 205,9 biR$ 224,5 biR$ 213,2 biR$ 270,2 bi
Quanto a empresa faturou no exercício — em bancos, é a receita de intermediação financeira. É o topo da linha: tudo (custos, margens, lucro) se mede a partir dela.
Lucro do acionistaR$ 21,0 biR$ 15,8 biR$ 23,2 biR$ 21,0 biR$ 14,3 biR$ 17,3 biR$ 23,7 bi
O lucro que sobra para os donos da empresa (atribuível aos controladores), depois de custos, despesas, juros e impostos. Cíclicas oscilam muito ano a ano — olhe a tendência, não um ano isolado.
Margem bruta52,8%50,6%56,1%36,2%30,3%32,3%28,3%
Quanto sobra de cada R$ 1 de receita depois do custo direto do produto/serviço. Margem bruta alta e estável sugere poder de preço ou custo baixo.
Margem EBIT10,8%4,1%26,2%11,8%4,5%7,9%7,8%
Resultado operacional (antes de juros e impostos) sobre a receita — mede a eficiência do negócio em si, sem efeito de dívida ou tributos.
Margem líquida16,9%16,1%18,5%10,2%6,3%8,1%8,8%
Quanto do faturamento vira lucro no fim. Compare com o histórico e o setor: margem caindo ano após ano é um sinal de alerta.
ROE15,5%10,8%15,4%13,2%8,5%10,2%13,2%
Retorno sobre o patrimônio: quanto de lucro a empresa gera sobre o capital dos sócios. ROE alto e consistente é sinal de eficiência — mas cuidado com ROE inflado por dívida alta.
ROA1,5%1,0%1,4%1,2%0,7%0,8%1,0%
Retorno sobre o ativo total: eficiência em transformar tudo o que a empresa possui em lucro. Bancos têm ROA naturalmente baixo (muito ativo).
Patrimônio líquidoR$ 135,5 biR$ 146,1 biR$ 150,2 biR$ 158,7 biR$ 167,0 biR$ 168,9 biR$ 178,9 bi
O que sobraria para os sócios se a empresa quitasse todas as dívidas: ativos menos passivos. Cresce quando a empresa retém lucro.
Ativo totalR$ 1378,5 biR$ 1604,7 biR$ 1675,6 biR$ 1799,6 biR$ 1927,5 biR$ 2069,5 biR$ 2330,3 bi
Tudo o que a empresa possui e controla (caixa, estoques, imobilizado, etc.). A base sobre a qual o ROA é medido.
🧮 Calculado pelo Meta de Rico a partir das demonstrações financeiras públicas (CVM · DFP consolidada), exercício a exercício: lucro atribuível aos controladores; margem = lucro ÷ receita (em bancos, receita de intermediação); ROE = lucro ÷ PL; ROA = lucro ÷ ativo total. Não é o mesmo que os múltiplos "últimos 12 meses" de plataformas de mercado — aqui é o exercício fechado, auditável linha a linha. "n/c" = não calculável para este plano de contas.
Como ler os números desta empresa
nível: avançado
📋 No balanço
O balanço de um banco é diferente do de uma empresa comum: aqui, emprestar dinheiro é o "produto". Olhe primeiro a carteira de crédito (quanto o banco emprestou e se cresce com qualidade) e o índice de inadimplência (quanto está atrasado). Veja o Índice de Basileia — o colchão de capital. Acompanhe as provisões (PDD): a reserva para calotes esperados. E, no Bradesco, olhe também o resultado de seguros, que é grande e mais estável. Crédito crescendo, inadimplência sob controle, capital folgado e seguros firmes = base sólida.
💵 No fluxo de caixa
Em banco, o "fluxo de caixa" tradicional importa menos do que em uma indústria — o foco é a margem financeira (o ganho com juros), as tarifas e, no Bradesco, os seguros. O que realmente importa é a qualidade do lucro: veio de juros recorrentes, tarifas e seguros, ou de eventos pontuais? E quanto desse lucro vira dinheiro no bolso do acionista via dividendos e JCP. Um banco saudável gera lucro recorrente robusto, mantém capital folgado e ainda sobra para distribuir.
Dividendos
O Bradesco é conhecido por ser um pagador consistente, distribuindo o lucro de duas formas: dividendos (isentos de Imposto de Renda para pessoa física) e Juros sobre Capital Próprio, os JCP (que têm retenção de 15%). Costuma fazer pagamentos mensais pequenos e complementos maiores ao longo do ano. Como o lucro de um banco é mais estável que o de uma cíclica, os proventos tendem a ser mais previsíveis — mas caíram quando a rentabilidade encolheu e tendem a acompanhar a recuperação do lucro. Não é renda garantida: varia com o resultado e com o payout.
Crescimento
O crescimento de um banco grande e maduro como o Bradesco é mais lento e constante do que explosivo. Ele cresce expandindo a carteira de crédito com qualidade, ganhando clientes, vendendo mais produtos (seguros, cartões, investimentos) e cortando custos com tecnologia. No momento, a história não é tanto de crescimento e sim de RECUPERAÇÃO: o plano de transformação busca elevar a rentabilidade de volta ao nível dos pares. O grande desafio é executar esse turnaround enquanto defende margens da concorrência dos bancos digitais.
Participação de mercado
O Bradesco é um dos maiores bancos privados do Brasil em ativos e base de clientes. Junto com Itaú, Santander e os bancos públicos (Banco do Brasil e Caixa), forma o pequeno grupo que concentra a maior parte do crédito do país. Em seguros, a Bradesco Seguros é uma das líderes da América Latina, o que dá ao grupo um peso desproporcional nesse mercado em relação a outros bancos.
Quem controla a empresa
- BBDC4 é PN: sem direito a voto. Você é sócio dos lucros, não das decisões — o controle é exercido via ON pela estrutura da Fundação Bradesco.
- Controle fundacional estável: a Fundação Bradesco (uma das maiores entidades de educação do país) é peça central da estrutura de controle, o que dá previsibilidade societária.
- Companhia listada há décadas, com histórico longo de remuneração regular ao acionista — mas passando por uma renovação de gestão e estratégia iniciada em 2024.
Linha do tempo
nível: raio-x
Concorrentes
nível: raio-x
| Perfil | Dividendos | Risco principal | |
|---|---|---|---|
| BBDC4 | Banco completo + seguros, em reestruturação | Consistentes (dividendos + JCP) | Rentabilidade baixa / execução do turnaround |
| ITUB4 | Maior banco privado, alta rentabilidade | Consistentes (dividendos + JCP) | Inadimplência / concorrência digital |
| BBAS3 | Banco público, barato e forte no agro | Altos (DY costuma ser alto) | Interferência política |
| NU (Nubank) | Banco digital, foco em crescimento | Não paga (reinveste) | Execução / margens baixas |
Como avaliar um bancão em reestruturação (o método, não a resposta)
nível: avançado
O método replicável — aprenda uma vez, aplique em qualquer empresa do mesmo arquétipo.
- Comece pelo ROE e pela TENDÊNCIA dele: no Bradesco, mais do que o número de hoje (~13%), importa a direção — está subindo com a reestruturação? Banco cria valor quando o ROE supera o custo de capital de forma sustentada. Olhe a trajetória, não um trimestre.
- Use o P/VP como régua de preço: o Bradesco negocia perto de 1x o patrimônio justamente porque o ROE ainda não brilha. Se a rentabilidade voltar ao topo, esse P/VP baixo pode ser oportunidade; se não voltar, é armadilha. Esqueça EV/EBITDA: não se aplica a banco.
- Cheque a qualidade da carteira de crédito: inadimplência (NPL) e provisões (PDD) dizem se o lucro sobrevive à próxima recessão — e foi exatamente aí que o Bradesco tropeçou no passado.
- Olhe a eficiência e os custos: o coração do plano de transformação é operar mais enxuto. O índice de eficiência (custos ÷ receitas) mostra se o turnaround está funcionando.
- Não esqueça os seguros: a Bradesco Seguros é um ativo à parte, muito rentável e mais estável que o crédito. Só então compare com os pares (ITUB4, BBAS3, SANB11) — no SEU plano, com o SEU prazo. Isto não é recomendação.
Você já tem BBDC4 sem saber?
nível: raio-x
Antes de comprar BBDC4 direto, cheque se você JÁ tem Bradesco sem saber — bancos são um dos maiores pesos do Ibovespa.
🧺 ETFs de Ibovespa (ex.: BOVA11)
BBDC4 está entre os maiores pesos do índice — quem tem ETF de Ibovespa já carrega Bradesco.
🧺 ETFs de dividendos (ex.: DIVO11)
Índices de dividendos quase sempre incluem os bancões — pagadores regulares como o Bradesco são presença constante.
🧺 Fundos de ações e previdência
A maioria dos fundos de ações Brasil carrega Bradesco perto do peso do índice. Consulte a carteira do seu fundo.
Quanto isso renderia pra você?
Exemplo ilustrativo com os proventos dos últimos 12 meses (proventos por ação estimados (12m): R$ 1,26/ação · preço de referência R$ 18,78 — ao vivo).
| Investimento | Ações (aprox.) | Proventos/ano | Por mês |
|---|---|---|---|
| R$ 10.000 | 532 | R$ 670 | R$ 56 |
| R$ 50.000 | 2.662 | R$ 3.354 | R$ 280 |
| R$ 100.000 | 5.324 | R$ 6.708 | R$ 559 |
⚠️ Passado ≠ futuro: os proventos variam de um ano pro outro e não são garantidos (veja a seção "Fundamentos calculados" e o histórico mais abaixo). Números de referência de 2026-07-05, conferidos com plataformas de mercado — confirme no RI. Sem reinvestimento e sem imposto. É um exercício educacional, não projeção nem recomendação.
Imposto de Renda: como declarar
nível: avançado
Regras vigentes em 2026 — tributação muda; confirme na Receita/seu contador.
- Dividendos: isentos de IR para pessoa física (regra atual).
- JCP (Juros sobre Capital Próprio): retenção de 15% na fonte.
- Atenção no Bradesco: como todo bancão, paga muito em JCP. Parte relevante do que você recebe já chega com os 15% descontados — o provento líquido real é menor que o bruto anunciado.
- Venda com lucro: isenção para vendas de até R$ 20 mil/mês (ações, swing); acima disso, 15% sobre o ganho (20% em day trade). DARF até o último dia útil do mês seguinte.
- Na declaração anual: Bens e Direitos, grupo 03 (Participações societárias), código 01 — Banco Bradesco S.A. (CNPJ 60.746.948/0001-12), pelo custo de aquisição.
- Proventos recebidos: dividendos em "Rendimentos Isentos"; JCP em "Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva".
Perguntas frequentes
BBDC3 são ações ordinárias (ON), com direito a voto. BBDC4 são preferenciais (PN): sem voto, mas com prioridade no recebimento de proventos e, em geral, mais líquidas. A maioria dos investidores pessoa física negocia BBDC4.
Nos últimos anos, uma piora de inadimplência e provisões elevadas comprimiram o lucro do Bradesco, derrubando o ROE para perto de 13%, enquanto o Itaú manteve algo perto de 20%. Foi essa distância que motivou a reestruturação iniciada em 2024, sob o comando de Marcelo Noronha — um plano de 5 anos para cortar custos e recuperar rentabilidade. Isto não é recomendação: é o contexto da tese.
É um plano de transformação de 5 anos, iniciado em 2024, focado em melhorar a eficiência (cortar custos), sanear e reprecificar a carteira de crédito e recuperar o ROE de volta ao patamar dos pares. O lucro já voltou a crescer (subiu cerca de 26% em 2025), mas o turnaround é um processo de execução — pode ir mais rápido ou mais devagar que o esperado.
Porque ROE mede quanto lucro o banco gera sobre o capital dos sócios — é o melhor termômetro de eficiência de um banco. No Bradesco, o ROE (~13%) está abaixo do de pares como o Itaú, e por isso a ação negocia perto de 1x o patrimônio (P/VP ~1). Para bancos, ROE e P/VP dizem mais do que o P/L — e EV/EBITDA nem se aplica.
O Bradesco é um pagador consistente, distribuindo dividendos (isentos de IR para pessoa física) e JCP, muitas vezes em pagamentos mensais com complementos maiores. O DY dos últimos 12 meses ficou em torno de 8%. Como o provento acompanha o lucro, ele caiu quando a rentabilidade encolheu e tende a acompanhar a recuperação — mas não é garantido.
A Bradesco Seguros é uma das maiores seguradoras da América Latina e responde por uma fatia grande do lucro do grupo. Como o resultado de seguros é mais estável que o do crédito, ela funciona como um amortecedor: quando o crédito aperta e a inadimplência sobe, o seguro ajuda a sustentar o lucro. É um diferencial do Bradesco frente a outros bancos.
Depende do seu objetivo, prazo e tolerância ao risco — e isto não é recomendação. A tese do Bradesco hoje é de recuperação: negocia perto do patrimônio porque o ROE ainda está baixo, e o retorno depende de a reestruturação dar certo. Tem riscos como inadimplência e execução do turnaround. O essencial é entender o que você está comprando e como ele se encaixa no seu plano e na sua diversificação.
São teses diferentes: o Itaú é um banco privado de altíssima rentabilidade que negocia com ágio (P/VP mais alto); o Bradesco tem ROE menor e negocia perto do patrimônio, com uma tese de recuperação em curso — mais barato, mas dependente da execução do turnaround. Não é recomendação — é entender o perfil e o risco de cada um.
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