Tesouro Direto: o que é e como funciona
É o investimento mais seguro do Brasil — e um dos mais mal explicados. Aqui você entende, sem juridiquês: o que é, os três tipos, quanto paga de imposto, como comprar e, no fim, se vale a pena para o seu caso.
O que é o Tesouro Direto
O Tesouro Direto é um programa do Governo Federal que deixa qualquer pessoa emprestar dinheiro para o próprio governo — e receber juros por isso. Quando você compra um título público, está financiando o Estado; em troca, o Tesouro Nacional se compromete a devolver o valor corrigido por uma taxa combinada na data de vencimento.
É por isso que ele é considerado o menor risco do país: quem garante o pagamento é o próprio governo, que tem o poder de arrecadar impostos. Nenhum banco ou empresa oferece essa mesma segurança. Você começa com pouco — a partir de cerca de R$ 30 — e compra tudo pela internet, pela sua corretora.
Os três tipos de Tesouro
Existem três famílias de títulos, e a diferença entre elas não é "qual rende mais" — é qual problema cada uma resolve. Escolher certo é escolher pelo seu objetivo, não pela maior taxa.
Tesouro Selic
Rende a taxa Selic, o juro básico da economia. Sobe e desce junto com ela, mas nunca fica negativo no meio do caminho — você resgata a qualquer dia sem perder o que já rendeu.
Tesouro IPCA+
Rende a inflação (IPCA) mais um juro real fixo — por exemplo, "IPCA + 6%". Seja qual for a inflação, o seu poder de compra é preservado e ainda cresce acima dela.
Tesouro Prefixado
Rende uma taxa fixa travada na compra — por exemplo, "13% ao ano". Você sabe exatamente quanto vai receber no vencimento, independentemente do que acontecer com os juros.
Impostos e taxas: o que sai do seu ganho
A taxa anunciada é bruta. Sobre o ganho (não sobre o total) incidem dois custos — e entender isso é o que separa quem compara de verdade de quem só olha a manchete.
1. Imposto de Renda (regressivo): quanto mais tempo você deixa o dinheiro, menos imposto paga. A alíquota incide só sobre o rendimento, na hora do resgate:
| Tempo aplicado | Alíquota de IR |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
2. Taxa de custódia da B3: 0,20% ao ano sobre o valor investido, cobrada pela Bolsa para guardar seus títulos. Há uma isenção importante: os primeiros R$ 10 mil aplicados no Tesouro Selic não pagam essa taxa.
Existe ainda o IOF, mas ele só morde quem resgata em menos de 30 dias — some por completo a partir do 30º dia. Na prática, quem investe pensando em meses ou anos nunca paga IOF.
Como investir, passo a passo
Vale a pena? E quais são os riscos
Para a imensa maioria das pessoas, sim — sobretudo em vez da poupança. Com a mesma segurança (ou mais), o Tesouro costuma deixar bem mais dinheiro no bolso ao longo do tempo. A melhor forma de ver isso no seu caso é comparar o líquido: use o comparador de renda fixa.
O principal mal-entendido é sobre risco. Levando o título até o vencimento, o combinado é honrado por inteiro — sem surpresa. O que assusta alguns é a marcação a mercado: no IPCA+ e no Prefixado, o preço oscila no meio do caminho e, se você vender antes da hora, pode receber menos (ou mais) do que o contratado. O Tesouro Selic praticamente não sofre disso — por isso é o escolhido para a reserva.
Perguntas frequentes
Você pode começar com cerca de R$ 30 — compra-se uma fração de título. Não é preciso ter muito dinheiro para começar; o importante é a constância.
Levando até o vencimento, não: você recebe exatamente o combinado. Prejuízo só é possível se você vender um título IPCA+ ou Prefixado antes da hora, num momento em que o preço de mercado esteja abaixo do que pagou. O Tesouro Selic é imune a isso na prática.
Na poupança você empresta ao banco e recebe uma regra fixa e baixa; no Tesouro você empresta ao governo (segurança máxima) e costuma render mais. A poupança é isenta de IR, mas mesmo assim, na maioria dos prazos, o Tesouro deixa mais dinheiro líquido — é só fazer a conta.
Sim, os títulos entram na sua declaração como bens, e o imposto sobre o ganho é retido automaticamente no resgate. A corretora fornece o informe para você preencher.
É o lugar mais indicado para deixá-la: rende perto da Selic, tem liquidez diária e não oscila. Veja quanto guardar na calculadora da reserva de emergência.
Conteúdo educacional do Meta de Rico — não é recomendação de investimento. As regras de tributação e as taxas podem mudar; confirme sempre no site oficial do Tesouro Direto e com a sua corretora antes de investir.